Você está convidado para o Battle Royale


Battle Royale levantou grande polêmica no Japão, não pela violência gráfica, a qual não é mais elevada do que a presente em muitos outros filmes de horror, mas pela temática e a mensagem social e política que apresenta por detrás do jogo mortal. O fato da história não ter optado pela aproximação de um reality show, com cobertura televisiva ou para entretenimento das massas, mas antes apresentar o grupo de jovens forçados a dizimarem-se por virtude de uma solução política, para fazer face à contestação perante a situação sócio-econômica, em muito poderá justificar o burburinho que se gerou, que passou inclusive pela vontade em tentar censurar ou proibir a exibição do filme. A polêmica, como quase sempre acontece, serviu apenas para promover e aumentar as receitas de bilheteria de uma obra que, alguns meses depois, foi relançada com uma nova montagem e mais cenas.

Isso que acontece se cochichar durante as aulas.

Num futuro não muito distante, os jovens se tornaram rebeldes demais, devido à recessão econômica na Grande República do Leste Asiático e seus danos sociais, obrigando o governo a aprovar uma lei conhecida como ATO BR. A lei consiste em sortear uma classe de estudantes para participar de um jogo onde a principal regra é matar uns aos outros até restar apenas um. O governo diz que o motivo do jogo é cumprir uma demanda social. Uma desculpa para saciar seus desejos mais sádicos? Ninguém sabe.

Não confie em ninguém!

Em cada edição do jogo, são escolhidos jovens entre 15 e 16 anos para serem levados a um determinado local, podendo ser um prédio abandonado, uma fábrica, uma floresta, uma cidade fantasma. Na coleção atual o palco da carnificina se dá em uma ilha. Logo no início somos apresentados ao protagonista Shuya Nanahara e seu melhor amigo Yoshitoki Kuninobu, que vivem em um orfanato. Na TV, se assustam com a vencedora do jogo - uma garota que enlouqueceu logo depois de matar seus amigos e vencê-lo. Anos mais tarde, Shuya e Yoshitoki são os novos premiados, em uma turma de 42 alunos.

Os 42 alunos do 3º Ano B descobrem que estão no reality BR. E o Bial não está nessa!

Rumo à viagem dos sonhos, os alunos do 3º Ano B são levados em um ônibus e, de repente, todos caem no sono. Quando despertam, descobrem estranhas coleiras presas aos seus pescoços. Não demora para perceberem que fazem parte do novo jogo BR.

A premissa, por si só, já é impressionante. O desenvolvimento da história é ainda mais.


Logo que o "jogo" começa, podemos ver os mais variados tipos de comportamento. Muitos dos jovens, pressionados pelo terror psicológico imposto pelas circunstâncias do programa, deixam de lado muitos de seus princípios e partem para a mais básica forma de preservação da vida: a violência pura. No entanto, alguns deles conseguem manter seu lado racional ativo, controlando seus impulsos bestiais e tentando pensar em maneiras de superar aquela situação desesperadora. Alguns tentam fazer sozinhos, outros pensam no próximo e buscam a união dos alunos como meio de sobrevivência e superação das adversidades. A desconfiança, porém, é tão constante quanto um tiro certeiro na testa.

Essa coleira não está aí por acaso, bonitão!

Para o governo, a coleira serve como garantia de que as regras serão cumpridas. Caso se passe mais de um determinado tempo sem mortes ou alguém tente escapar da ilha, todas as coleiras explodirão os pescoços dos alunos.

Observando-se a variação de sentimentos e atitudes da própria raça humana, muito bem apresentada e desenvolvida por Koushun Takami, podemos esperar os mais variados desfechos possíveis para a trama, tornando-a irresistivelmente imprevisível. Cada personagem tem uma peculiaridade que o torna único e, ao mesmo tempo, muito próximo de qualquer um que venha a ler a obra. Esta variação permite a identificação do leitor com qualquer uma das personagens, o que aumenta ainda mais a vida útil de sua trama.

Como destaque, temos os seguintes personagens:

 

• Shuya Nanahara: Depois de perder seus pais num acidente aos 5 anos de idade, Shuya Nanahara passou a viver no orfanato Jikeikan. Foi lá que se tornou o melhor amigo de Yoshitoki Kuninobu. Na adolescência, despertou para a música e se apaixonou pelo rock'n'roll, estilo proibido na Grande República do Leste Asiático. Sempre burlando os olhares atentos dos professores, Shuya não cansa de praticar a guitarra elétrica, mesmo que faça "uso indevido" dela. É um ótimo esportista em todas as modalidades. Durante o jogo, ele resolve proteger a colega Noriko Nakagawa, por causa de seu amigo Yoshitoki que gostava dela. Porém, durante a história, ele e Noriko acabam desenvolvendo um sentimento muito próximos um do outro. Conhecido pelos amigos como "Maniaco Idealista Louco por Justiça", Shuya odeia ver as pessoas tristes. Está sempre querendo ajudá-las, não importa a situação.

• Noriko Nakagawa: É tranquila, tímida e não possui nenhuma habilidade marcante. No entanto, em BR, mostrou um lado inesperadamente impetuoso, como na hora em que exigiu cuidados médicos para Yoshitoki, quando ele foi baleado por Yonemi Kamon, o responsável por enviar os estudantes à ilha.


• Shogo Kawada: Shogo é frio e quieto. Por ter habilidades em medicina, culinária, entre outros, foi muito útil na aventura. Ele lutou no Programa, que manteve como refém a sua classe, a 3º C, um ano antes, e venceu o desafio. É transferido de escola e, por azar ou pelo destino, cai justo na classe sorteada. Esse detalhe se torna muito importante no desfecho da trama.


• Kazuo Kiriyama: Kazuo é um grande mistério. Um rapaz frio, quieto e muito inteligente. Kiriyama tem grande habilidade para aprender qualquer coisa, desde que veja, leia ou sofra através dela. Aprendeu a lutar Judo simplesmente lendo um livro sobre, tira 10 em todas as matérias e consegue planejar um plano para qualquer situação que esteja passando. Kazuo também não perdoa seus inimigos. Por não demonstrar sentimentos (ele sequer dá um sorriso a aventura inteira), faz seu adversário sofrer, se possível até a morte. Durante seu período na ilha, resolve decidir através de uma moeda se iria matar ou ajudar seus colegas.


• Mitsuko Souma: É a segunda pessoa mais perigosa em toda a ilha, chegando próximo de Kazuo Kiriyama. Durante o jogo, a bela garota mata um total de 8 pessoas, não demonstrando o mínimo remorço em nenhum dos assassinatos. Pelo contrário, expressando mistos de prazer dos mais variados tipos. Aos 9 anos foi abusada sexualmente e perdeu sua virgindade nessa idade com o próprio pai. A triste infância causou um distúrbio mental em Mitsuko, que demonstra certo prazer em mutilar rapazes, o que é mostrado não só na ilha, mas em flashbacks sobre sua vida.


• Shinji Mimura: Um esportista nato, quase tão bom quanto Shuya Nanahara. Na sua partida de estreia no time de basquete da escola Jougan, participou como o 3º armador reserva, mas sua atuação espetacular fez o time ganhar o jogo de virada e lhe deu a vaga de titular. O apelido de "Terceiro Homem" surgiu nessa ocasião, numa alusão também ao seu sobrenome ("Mimura" é escrito com o kanji do numeral "três"). Ele sempre desprezou seus pais por serem pessoas fúteis. Por outro lado, adorava e foi bastante influenciado pelo tio, um ativista anti-governamental. Com ele, Mimura aprendeu desde a usar computadores até técnicas de briga de rua, o que o ajuda na tentativa incessante de burlar o sistema governamental que os enviou à ilha e não só escapar, mas ajudar seus amigos. De longe é o personagem mais interessante.


Há muitos outros alunos, todos muito bem construídos. Temos de nerds a travestis, grupos de garotinhas fofinhas que se vêem obrigadas a matar as amigas, e por aí vai. A diversidade no elenco torna tudo mais inusitado.

O livro, publicado no Japão em Abril de 1999, foi mais tarde adaptado ao cinema num filme igualmente popular e controverso (originando ainda uma continuação: Batoru Rowaiaru 2: Chinkonka / Battle Royale II) realizado por Kinji Fukasaku e estreado em 16 de dezembro de 2000. Foi ainda criada uma adaptação para mangá em 15 tomos, lançada no Brasil pela editora Conrad.


A série parou de ser publicada em dezembro de 2007, a três números do final. Por diversas vezes a editora se pronunciou, prometendo retoma-la, porém sempre havia a desculpa de problemas de contrato. Finalmente, em julho de 2011 o 13º volume começou a ser vendido.

Como era de se esperar, Hollywood se interessou pela obra e os boatos de um remake passaram a circular pela mídia.




Em 2003, é lançada a sequência Battle Royale II: Requiem.

Três anos após os sobreviventes do primeiro "Battle Royale" terem escapado da ilha, vamos encontrar um deles (não vou mencionar o nome para não entregar spoilers) à frente de um grupo terrorista internacional anti-BR e anti-governo. Declarando guerra a todos os adultos que apoiaram a Lei BR, o grupo lança um ataque devastador a Tóquio. Em nome da Justiça, o governo re-ataca criando a Lei Anti Terrorismo do Milénio ou BR-II, um "jogo" com regras novas e mais cruéis.


Um ano mais tarde, uma turma de 42 alunos do 9º ano é sequestrada, obrigada a vestir fardas da tropa e a colocar as coleiras eletrônicas. O professor informa-os que foram escolhidos para o BR-II, um novo jogo de guerra contra o terrorismo. "Tem 72 horas para descobrir e matar Fulano se quiserem ganhar e sobreviver. " Um dos alunos se recusa a participar e é morto sem piedade ali mesmo. Sob as novas regras, a coleira de uma aluna é ativada, matando-a de imediato. Agora só faltam 40. Os restantes são enviados para as linhas de frente da "guerra contra o terror".


A sequência não tem tanto impacto quanto o original. Os minutos iniciais são ótimos, uma bela introdução. Porém, do meio para o fim o filme se arrasta de tal maneira que é quase impossível não sentir os olhos "pescando". A trama é interessante, concordo, mas não agrada. Caso tivesse sido realizada inteiramente pelo diretor do original, Kinji Fukasaku, poderia ter sido tomado outro rumo. Kinji morreu de câncer de próstata em 12 de janeiro de 2003 durante as gravações do filme. Seu filho, Kenta Fukasaku, completou as gravações do filme. Se ele mudou o que o pai pretendia fazer, não ficou claro, mas que o filme é de longe menos divertido do que o primeiro não há dúvidas.

Festa do pijama!

Battle Royale é uma coleção para se conhecer, sem pensar duas vezes. Death Note pode ser a obra-prima do mundo dos mangás, mas Battle Royale não fica atrás. Recomendadíssimo!

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