[REVIEW] The Walking Dead - O Jogo [Episódio 1: A New Day]





Resident Evil sempre foi (e sempre será) a maior referência sobre games de zumbis, e está na minha lista de preferidos. No entanto, fiquei bastante ansioso quanto o lançamento do jogo The Walking Dead, da Telltale Games.

 

O trailer agradou, embora o primeiro gameplay liberado tenha dado uma prévia do sistema de controle padronizado da empresa, baseado no click-n-point. Temia que a jogabilidade fosse comprometida pelas limitações, mas o que me restava era torcer para não decepcionar. Pois bem...

Hoje comecei a jogar The Walking Dead – The Game. E já terminei! Em menos de 3 horas fechei o primeiro episódio, A New Day. Sim, o game será liberado aos poucos em formato de capítulos, seguindo o estilo das HQs e, por que não?, da série televisiva.

Baseado na trama que se desenrola nos quadrinhos, encarnamos o papel de Lee Everett, um presidiário sendo levado em uma viatura enquanto bate um papo com o policial. Talvez eu tenha perdido algo, mas me pareceu que o apocalipse estava acontecendo naquele exato momento, uma vez que, à medida que avançavam pela estrada, viaturas e helicópteros seguiam na direção contrária, até que uma figura surge no caminho e provoca um acidente. A viatura rola barranco abaixo e, quando Lee desperta, está com a perna machucada, ainda algemado e divisando vultos ao longe, através da vidraça estilhaçada.


Utilizando um sistema de seguir nessa ou naquela direção, o jogador deve encontrar algo que possa ser útil – um objeto, arma, maçaneta – e apertar o respectivo botão. O que eu já havia apontado na crítica do gameplay, cito novamente. Após Lee estourar a cabeça do policial zumbi, ainda tem a capacidade de perguntar, aos berros: “Ei, você está morto?”. Não, ele está bem vivo, Lee. Quem precisa de 80% da cabeça inteira para viver, né?

Os cenários são um show a parte. Com traços e cores detalhados, traz um quê dos quadrinhos, deixando aquele tom mega realista de produções como Resident Evil 5 ou L.A. Noire. Lembra um pouco o design de Borderlands, mas com estilo próprio. Cartunizados, eu diria.

A trilha sonora é satisfatória em mergulhar o player na atmosfera de suspense. Entretanto, o que destrói em grande parte a experiência é o sistema da Telltale. Uma das partes mais divertidas em jogos de zumbis é fugir dos ditos-cujos. Então quando você apertar um único botão para matar seu primeiro zumbi e se ver cercado por uma horda, não espere se divertir tentando fugir deles pelo bosque. A animação vai te poupar desse trabalho. E brocha!

 

Como em determinadas cenas é preciso escolher uma ação específica, ou uma resposta/pergunta para avançar na conversa com os personagens, é melhor você ser bom de inglês e ser rápido ao ler, pois há um tempo limite. Caso não consiga entender o que disseram ou o que você quer responder, o jeito será confiar no instinto e clicar em qualquer coisa. Um conselho: tente se concentrar e tomar cuidado em alguns diálogos, especialmente com Hershel. Não esqueça que você é um presidiário, está cuidando de uma garotinha com quem não tem laços familiares, e o mundo não é tão grande assim. As pessoas leem jornais.

 

Outro detalhe que me chamou atenção foram os zumbis. São bem construídos, fiéis aos quadrinhos. Eu até daria um grande parabéns... Se eles não estivessem tão avançados na podridão! Como eu disse, quando Lee estava na viatura (há minutos atrás), as autoridades se dirigiam à cidade; ou seja, a merda havia sido atirada no ventilador. Então por que, Jesus, os zumbis eram, em sua maioria – 99% - cadáveres putrefatos, quase esqueléticos? Tanto nos quadrinhos como na série eles aparecem dessa forma, sim, mas depois de um bom tempo de infecção. Quando Rick acorda no hospital e encontra alguns zumbis no refeitório, vários apresentam uma aparência menos pútrida, com traços que confirmam tratar-se de humanos a pouco infectados, e não um batalhão de esqueletos. Como o jogo será dividido por episódios, seria interessante começarem como zumbis não decompostos, e conforme o game avançasse, aí sim passariam pelos outros estágios de decomposição.

Levei menos de 3 horas para fechar o episódio, mas me senti como se tivesse acabado de assistir um capítulo da série. As ações que nos são permitidas executar são poucas. Não passam de apertar um determinado botão para empurrar um carro, ou pegar uma chave, ou acessar a secretária eletrônica. As ações mais elaboradas são utilizar o analógico para mirar na cabeça de um zumbi e apertar o botão para desferir o golpe. Em outros momentos, se você fica muito tempo olhando para um zumbi ao longe, a tela começa a ficar vermelha e se você não se esconder novamente, ele aparece como mágica atrás de você e bye bye.

 

As animações são bem produzidas e parecem mesmo uma série. Você chega a se divertir enquanto assiste (caso seja muito fã de The Walking Dead, ou no mínimo que goste de zumbis), mas se você morrer em certas partes, terá que assistir as cenas novamente – e algumas não são nada curtas -, o que acaba enjoando.

Suas escolhas determinam o rumo da estória. Joguei apenas uma vez, então não sei o que teria acontecido se escolhesse salvar outra pessoa ao invés daquela. As escolhas mais importantes não passam disso. Escolher quem salvar. Os caminhos são pré-definidos, e não importa quem você salve, o rumo será o mesmo. A única mudança será nos diálogos, e nos sobreviventes. O legal nisso é entrar na estória e decidir quem você salvaria na vida real? Um garotinho filho de um cara muito bacana, ou um rapaz esperto e corajoso que há poucas horas te salvou na cidade?

 

 Não posso dizer que os personagens são estereotipados. Quem não é hoje em dia? Há Lee, o cara amigo de todos e com porte de líder; Clementine, a garotinha corajosa e indefesa; Lilly, filha de pais militares e sisuda, assim como o pai, um velhote que promete dar sérias dores de cabeça ao grupo; entre outros. Em meio aos desconhecidos, encontramos alguns velhos amigos, como Glenn e Hershel. Havia sido divulgado que os personagens oficiais de TWD fariam apenas aparições especiais, mas Glenn permanece junto ao grupo por um tempo considerável. Ele é descrito exatamente como nos quadrinhos. Está sempre disposto a sair em busca de comida e suprimentos. É interessante conhecer os lugares por onde o japa passou antes de encontrar o grupo de Atlanta, que é para onde ele se dirige em sua última cena do jogo.

Hershel é fiel fisicamente aos quadrinhos, e oferece ajuda desde que não pensem em se instalar em sua fazenda. E, tanto na HQ como na TV, o velhote acreditava piamente que os zumbis estavam vivos e que havia cura, levando-o a prender seus entes queridos no celeiro. No game, porém, ele não hesita em estourar as cabeças dos fedidos.

 

Não espere sentir medo aqui. Dead Space, Alan Wake ou Silent Hill são o mais indicado. No máximo, você ficará tenso quando não conseguir mirar o analógico na cabeça do zumbi e morrer cinco vezes consecutivas.

Há momentos em que fiquei perdido, sem saber para onde ir ou onde clicar. O pior é clicar em algo completamente inútil e, ainda assim, ter que ouvir toda a conversa novamente. Não há um menu com rotas ou inventário. Tudo o que você encontra, desde baterias até barras de chocolate, ficam no canto esquerdo da tela até que você encontre onde utilizá-las. Não há opção de examiná-las; uma vez que as encontra, deixe-as lá e uma hora ou outra serão úteis.

Ao fechar o episódio, o desfecho se resume a conversar com os sobreviventes, criando alianças ou inimigos, uma interessante animação com uma ótima trilha sonora e, em seguida, o que acontecerá no próximo capítulo. É o segredo do sucesso: deixar o telespectador com gosto de quero mais após assistir o sneak peek. A curiosidade é o maior mal da humanidade (ou seria o bem?). Pois foi assim que me senti. Um telespectador. Não foi de todo mal, no entanto. Mas Resident Evil sempre foi (e sempre será) a maior referência sobre games de zumbis.

E ainda é meu preferido.








Episódios:
1 – A New Day
2 – Starved For Help
3 – Long Road Ahead
4 – Around Every Corner
5 – No Time Left


Versão testada: PC

1 mordidas:

Layn disse...

Desde que soltaram a notícia de que ia sair um jogo de The Walking Dead pra computador eu ahn... Comecei a pirar.
Não gosto muito de jogos (a não ser Arkhan Asylum e Arkhan City), mas meu amor pelo quadrinho me fez ficar ansiosa pra caramba.
Pelo que voce comentou, achei a jogabilidade meio...fraca, talvez? Quando saiu a notícia do jogo, parecia que ele abria mais possibilidades, apesar de ter sido falado desde o começo que seria um point and shoot bem genérico.
Eu achei legal não ter nenhuma rota definida, ou algum guia, ou algo que "ajude muito" no jogo. Acho que já que o final é pré definido, não tem tanto pra que ficar andando, explorando e etc. Já sobre os itens, isso me lembra alguns jogos mais antigos onde você precisava "baixar o santo" pra encaixar os itens nas situações. Eu costumava achar divertido na época, não sei hoje.
Já falei demais, e falei muita bobagem. XD

taiyounorakuen.blogspot.com

5 de maio de 2012 14:53

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