Resident Evil: Damnation – Nostalgia em uma animação exclusiva aos fãs


Eu esperei por Resident Evil: Damnation (2012) como uma criança gorda querendo doce. E o doce é bom. É de lamber os beiços.


Pra começo de conversa, não há terror do tipo que te faz cagar de medo como os primeiros jogos da franquia. O foco é ação, espionagem, e mais ação. Nem mesmo Degeneration (2008) causou medo, e é até chato persistir na ladainha de que “o terror em Resident Evil não volta mais” e blá blá blá. Damnation é direcionado exclusivamente aos fãs, e não ao público em geral, diferente da série concebida por Paul Anderson. Assistindo Damnation entendi a motivação de Paul. Ele preferiu pescar elementos aleatórios dos games, como personagens, características físicas, alguns monstros, determinados nomes (Umbrella, T-Virus...) e jogou tudo na panela, mexendo até engrossar. Criou sua própria heroína e decidiu não ser linear à trama original. Por quê? Para atingir um raio maior de público, e não apenas os fãs. Mistério esclarecido, quem quer um filme sobre Resident Evil de fato, não adianta ir ao cinema e sair de lá reclamando o mesmo de sempre. Paul e Milla não vão mudar o repertório para te agradar. Conforme-se. O melhor a fazer é assistir Damnation. Esse sim é o verdadeiro Resident Evil.


O plot não é muito profundo. Tem lá suas reviravoltas, mas nada que já não tenhamos visto. O astro novamente é Leon S. Kennedy, em outra missão a serviço do governo e mais badass do que nunca. Notei que implementaram mais sarcasmo em sua personalidade, e ficou bem bacana.
De acordo com a narração inicial:
“Durante 74 anos, o poder do socialismo soviético foi tão grande que dividiu o mundo entre Leste e Ocidente. Depois, em 1991, colapsou completamente. Um a um, os vários países que apoiavam a União Soviética começaram a separar-se, declarando a sua independência. O Parlamento da República Eslava de Leste seguiu o exemplo, declarando o país um Estado soberano independente do regime soviético. O capitalismo avançou rapidamente. Os conglomerados ganharam influência nos círculos políticos e, em resultado disso, os oligarcas chegaram ao poder. Na República Eslava de Leste, a divisão entre ricos e pobres tornou-se tão grande que desencadeou uma nova rebelião. A luta pela independência explodiu nas ruas. Rebeldes armados lutavam contra o seu Governo, agora controlado pelos oligarcas. O Exército prosperou, nesta época, tornando-se ainda mais forte e mais bem equipado. Sob a liderança de Ivan Judanovich, um atamã do Conselho dos Anciãos, os rebeldes deslocaram a sua base para um local secreto. Um local mais adequado para lançarem a sua luta de guerrilha contra o Governo. Após vários anos de combates brutais, foi Svetlana Belikova, a primeira mulher presidente da República Eslava de Leste, que propôs um cessar-fogo aos rebeldes. Mas a pausa nas hostilidades durou pouco. Em Novembro de 2010, o Governo descobriu que as terras dos rebeldes continham recursos valiosos. Os militares continuaram os seus ataques, afirmando que estavam a lutar contra o terrorismo. Perdendo uma base após outra para a investida militar, os rebeldes aumentaram os seus esforços e tornaram-se cada vez mais radicais nas suas tácticas. Foi então que boatos estranhos começaram a espalhar-se como um incêndio entre as pessoas, de que se tinham juntado à batalha monstros. Em Fevereiro de 2011, os boatos chegaram à velha cidade de Holifgrad, a poucos quilómetros do Palácio Presidencial, um local estratégico importante para o Governo.”
Enviado à fictícia East Slav Republic, parte da extinta União Soviética e atualmente atingida por uma guerra contra rebeldes socialistas, Leon recebe ordens de abandonar a missão e voltar aos Estados Unidos, pois toda a área será neutralizada, tornando o local perigoso demais para civis. Claro que Leon não é um mero civil, e escolhe ignorar as ordens e se enfiar em uma cidade arruinada e recheada de Bio Organic Weapons, as já conhecidas BOWs (Armas Bio-Orgânicas), e ninguém tem certeza sobre quem são os responsáveis por sua soltura, se os rebeldes ou outra facção.


As mutações da vez são os Lickers e os Ganados. Os linguarudos nunca foram tão bem utilizados como aqui. A primeira aparição é de tirar o chapéu, e (sem querer comparar, mas já o fazendo) dá de 10 a 0 no Licker do primeiro Resident Evil (2002) de Paul Anderson. Em um estacionamento subterrâneo envolto na penumbra e apenas com o som de seus próprios passos, Leon utiliza uma lanterna para se orientar e nem mesmo a submetralhadora torna a situação mais segura. Eis que surge o Licker, e a primeira cena de ação começa. Há muitas outras, uma melhor do que a outra. Diferente da visão clássica que temos do monstro, em Damnation chegamos a nos importar com eles. Graças a uma nova tecnologia, é possível uma relação amo/mestre; ou seja, é possível controlá-los, pagando um preço alto para isso. Imagine tê-los sob seu comando apenas através do pensamento. Nem por isso eles perdem o ar ameaçador, pelo contrário: continuam tão mortíferos quanto agindo por vontade própria. O mais bacana é vê-los ajudando os heróis (ou vilões, dependendo do ponto de vista) e atacando outros BOWs. Podemos entender um pouco mais de sua natureza, ainda que forjada, como vê-los em closes que nos entregam detalhes viscosos, os sons anormais e familiares que emitem. É até divertido quando se estranham. Algo que não fica claro é se continuam cegos, como mostrado em Resident Evil 5 (Capcom, 2009), mas depois de analisar certas atitudes concluí que sim, continuam. Claro que no jogo a sensibilidade é menor, ou nem poderíamos mover o personagem pelo mesmo cômodo, mas no filme basta dar um passo para alertá-los. Podem não ser o inimigo principal em Damnation, mas todas suas cenas são bastante divertidas.


Os passadistas com certeza sentirão falta dos zumbis que fizeram o nome da franquia, e talvez o diretor Makoto Kamiya soubesse disso, trazendo os Ganados mais zumbificados do que os vistos a partir de Resident Evil 4 (Capcom, 2005). Eles continuam cientes de seus atos, portam armas e caçam com o propósito de infectar outras pessoas e aumentar seu contingente. Mas diferente da aparência, digamos, humana habitual, inicialmente podemos confundi-los com os zumbis apresentados em Degeneration. Cambaleiam e têm uma imagem bem parecida com defuntos. Algo que choca é acompanhar o processo de infecção. Aquelas membranas semelhantes a flores desabrochando que saem de suas bocas têm uma função mais importante do que apenas intimidar a presa. Confesso que não havia visto nada semelhante no quarto ou quinto jogo, e se houve me passou despercebido, mas é uma imagem forte quando um soldado é encurralado e passa pelo processo de “recrutamento ganado”. Acredite, você vai sentir asco.


Em Degeneration contamos com dois grandes protagonistas originais da franquia para sustentar a história, Leon e Claire Redfield. Claire não está de volta, como se especulava. No entanto, temos aqui uma dupla que não poderia ser mais perfeita. Leon é um protagonista nato, com força o bastante para levar qualquer história nas costas. Acontece que a espiã mais sexy dos games, o eterno caso não resolvido do agente, Ada Wong, está de volta. Por mais que eu ame (e não tenho vergonha de assumir) Leon, Ada rouba todas – TODAS – as cenas em que aparece. Mais sensual do que nunca, é tarefa impossível não babar quando ela surge, rebolando sutilmente ou botando pra foder contra os inimigos. De fala mansa e olhar penetrante, foi uma ótima escolha. Uma das cenas mais tensas é protagonizada por ela, e nem é preciso um BOW para tal feito. Encontrando um adversário a altura, finalmente a vemos ser encurralada... Por pouco tempo, claro. Ada Wong sempre tem uma carta na manga; no caso, a carta está escondida em um local inusitado onde eles nem pensaram em revistar. A respectiva cena consegue ser mais emocionante do que o nostálgico e ensaiado encontro com Leon. A luta se cria por uma coreografia incrível, onde não se sabe para onde vai seguir. E quando você tentar ver a calcinha de Ada (eu sei que vai, eu tentei) e a faca passar na frente, não contenha o riso.


A citada cena onde Leon e Ada se encontram é realmente nostálgica, assim como outras ao longo do filme. Digo que é ensaiada, pois veio desde Resident Evil 4 e se repete aqui, quase da mesma maneira (ainda não assisti Retribution, mas ouvi dizer que há algo semelhante nele também). Os dois andam em círculos, se encarando, se “estranham”, e o clima de tensão sexual grita na tela. É como sua dança de acasalamento, o mais próximo de uma relação física que os dois tiveram, ou terão. Por mais que me esforce, não consigo imaginá-los, enfim, juntos. Não dá pra imaginar Ada na beira do fogão preparando panquecas enquanto Leon toma sua xícara de café e lê o jornal com o cachorro deitado aos seus pés e os filhos indo para a escola. A graça está no amor impossível. Ambos são fortes demais para ceder a um sentimento tão banal, diante de missões governamentais ou particulares, e talvez essa atração com chances mínimas de ser consumada seja o tempero que mantém a chama acesa.


A qualidade gráfica está tão boa que fica difícil rotular Damnation como animação. Não falo sobre fidelidade ao real, mas o cuidado em si com a criação. Ada, por exemplo, está perfeita. Houve uma discreta alteração em suas feições, comparada às Adas de Resident Evil 2 (Capcom, 1998), RE4 e o bem próximo Resident Evil 6 (Capcom, 2012), mas ainda é Ada. Os cabelos parecem reais, e não vou negar que babei no eterno cabelinho “emo” de Leon. Sinceramente, ele está um modelo de creme dental internacional. Ada não fica atrás. Fumaça perfeita, fogo perfeito, fotografia perfeita, efeitos perfeitos. Pode parecer babação de ovo de um fã da série, e sou mesmo, mas comparado a Degeneration, houve uma evolução gritante. Se há uma ressalva seriam as dobras dos tecidos, não muito críveis. Algo que me incomodu um bocado foi da cintura pra baixo de Leon, principalmente quando ele estava de costas. Parecia que sua bunda não existia, e perfeccionistas como eu se incomodam sim com isso. Pra compensar, Ada recebeu uma caprichada na sua retaguarda, o que pode ser comprovado em sua cena inicial, focando no rebolado. Parece algo bobo de se julgar, mas estamos falando de uma animação, não é?


Em questão de sonoplastia, não há o que reclamar. Tanto a trilha sonora quanto a dublagem estão impecáveis. A escolha das vozes casou perfeitamente com seus respectivos donos, e a trilha remete ao mesmo estilo dos games. A canção tema, Carry On, performada por Anna Tsuchiya, é demais. Assisti todos os créditos embalado pela música, enquanto cenas do próximo jogo passavam na lateral.


Os antagonistas talvez precisem de um tempo para ganhar a simpatia do público, mas o fazem. JD, por exemplo, é o característico bobalhão responsável pelo humor. É ele quem tem uma das falas mais interessantes, quando diz que não gosta da América, mas não pode dizer o mesmo das coisas que a América produz. É uma bela alfinetada nos ditos antiamericanos, que adoram descer o pau na Coca-Cola, Nike, Apple, e dezenas de outras marcas, mas que são grandes consumistas destes mesmos produtos. Na boa, se eu pudesse comprar tudo que preciso (e não preciso) direto dos EUA, o faria com gosto sem pensar duas vezes. O problema está nas malditas taxas. Sou pró-americanismo sim, sempre preferi os EUA, mas infelizmente nasci aqui, por uma peça do destino. Não sou patriota de um país que me fode todo santo dia. Por que deveria? (fim do desabafo)

Buddy, o líder dos rebeldes, tem presença forte é bem parecido com Curtis Miller de Degeneration, porém menos obscuro. Está agindo de forma errada por uma boa causa. É alguém que pode se tornar herói ou vilão, ajudando e atrapalhando o caminho de Leon. Sua motivação até que convence, mesmo sendo bastante previsível.


A vilã, Svetlana Belikova, presidente da Eastern Slav Republic, também não chega a ser original, mas protagoniza a épica cena onde luta contra Ada em nível de igualdade. Antiga instrutora (“Quem disse que sou antiga?”), detém técnicas dignas de uma Jill Valentine em RE5, mas, apesar do confronto tenso, onde é impossível não ficar boquiaberto, não é uma vila forte como Albert Wesker. É sim uma pedra no sapato, e das grandes, mas não convence de todo.


O verdadeiro vilão é um antigo conhecido, mais precisamente de RE2: Mister X. Tão pavoroso quanto Nemesis, recebeu aqui uma dose de fermento e está grande. Muito grande. Anormalmente grande! É uma verdadeira máquina de matar. O pior? Não há apenas um. Desde o momento em que são liberados até a batalha final são monstros que enchem a tela e olhos dos fãs. A batalha final, típica da série quando os monstros recebem um dano severo para, em seguida, ocorrer uma mutação e crescerem ainda mais, pra variar um pocuo também está aqui. Não há spoiler em contar isso; é o que sempre acontece! Mister X foi uma ótima escolha, talvez pela sensação de nostalgia. Mais uma, pois é esse o recheio do filme. Damnation pode ser definido exatamente assim: nostálgico. Ainda que os zumbis não estejam aqui, não dá pra reclamar. A cena do sangue pingando e o Licker no teto está presente, em uma versão 2.0; a cena entre Leon e Ada está presente; Mister X está presente. Mais nostalgia que isso, só mesmo um remake do próprio jogo.


Resident Evil Damnation valeu a espera. Se Makoto Kamiya nos deixou esperando por quatro longos anos e nos presenteou com essa maravilha , dói aceitar e torcer que ele leve mais quatro para o próximo. Damnation é tudo aquilo que os fãs de Resident Evil gostam e precisam. Não falo dos saudosistas, que não dão margem para novas possibilidades, presos ao passado e alienados demais para saborear o gosto da evolução, mas sim dos que entendem os caminhos pelos quais Resident Evil se viu obrigado a trilhar, se reinventando a cada lançamento, não se limitando aos corredores claustrofóbicos de uma antiga Mansão Spencer, e se permitindo invadir cidades, criar novos heróis e infectar o outro lado do globo.

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1 de junho de 2013 07:19

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