[ANÁLISE] The Walking Dead 4x03 Isolation

O texto abaixo apresenta spoilers, tanto da série quanto dos quadrinhos.

Costumo escrever as análises sobre The Walking Dead logo após assistir os episódios, mas o terceiro não me animou. Três dias depois e estou eu aqui, pensando no que falar sobre Isolation. O ritmo da quarta temporada estava frenético, mas neste último sentimos que o roteiro desacelerou para tomar um ar. Não foi ruim de todo, não mesmo, mas senti que houve momentos sem importância presentes apenas para cumprir a cota de 40 e poucos minutos.

Seguindo os eventos do episódio anterior, onde os figurantes foram quase todos para a terra dos eternamente deitados após um ataque-zumbi-surpresa, aqui vemos Glenn e Maggie preparando algumas covas e com uma expressão no rosto que nos faz acreditar que logo acontecerá algo de muito ruim com um deles. Nos anteriores senti que nenhuma atenção foi direcionada ao casal, apenas mostrando momentos românticos e nada mais, e deduzi que a artimanha seria uma preparação para o que estava por vir.


Quem acompanha os quadrinhos sabe que Glenn morre de um modo deveras violento no arco atual — uma das cenas mais chocantes da HQ —, e sabemos também que ninguém está a salvo na série de TV, mas matá-lo agora seria uma filhadaputagem colossal. Diferente da história original, aqui é Maggie quem detém o título de personagem mais carismático da dupla, e não vejo em que mais Glenn pode contribuir além de engravidar a moça e deixá-la com um filho para criar sozinha. Por isso eu temo. Como era esperado, Glenn é um dos infectados pela tal doença e se encontra na quarentena, junto com Sasha, Lizzie e outros gatos-pingados, mas, sinceramente, não sinto que os roteiristas nos darão boas notícias sobre o oriental em breve.
Outra dedução minha — falha — foi que Karen e David haviam se suicidado em um último ato de declaração de amor secreto, o que remeteria a um dos acontecimentos do arco da prisão nos quadrinhos, mas me enganei. Até os deuses erram, humpf!

Tyreese cobra uma posição de Rick, pois, embora o ex-policial pareça estar afastado da liderança do grupo, junta o “(ex) policial” e “crime misterioso” e conclui que é responsabilidade dele descobrir quem é o culpado. E lá vai Rick brincar de Detetive, da Estrela. Se o intuito era nos brindar com uma dose de suspense vindo da busca pelo assassino, particularmente acredito que falhou. Rick apenas encontra uma marca de mão ensanguentada no umbral e, por ser um pouco menor do que a sua, automaticamente descobre quem é a culpada? Pode ter sido desatenção da minha parte, embora tenha voltado a cena algumas vezes, mas não fez sentido. Há tantas mulheres na prisão e, pelo motivo apresentado pela assassina, nossa querida Carol, qualquer uma poderia ter pensado em dar cabo do casal para livrar a prisão do risco de a doença se espalhar. A meu ver, a investigação de Rick foi muito forçada; qualquer zé ruela poderia ter deduzido aquele desfecho. Talvez tenha sido Rick o escolhido para trazer à série outra cena dos quadrinhos, a briga entre ele e Tyreese.


Falando de Tyreese, estava receoso de que o personagem não conseguisse trazer a essência do original. O Tyreese dos quadrinhos tem personalidade forte, não engole desaforo e é (era) um dos mais queridos, mas o da série estava sendo apenas ok. Neste terceiro episódio o jogo muda e o roteiro dá uma brecha maior para que ele seja melhor desenvolvido. Como a cena do suicídio romântico não aconteceu, se pudéssemos escolher alguma outra que tenha marcado o arco da prisão — e ligada ao personagem — seria quando ele é deixado sozinho no refeitório, cercado por uma rempa de zumbis, e consequentemente dado como morto, apenas para depois surgir como The Last Man Standing em meio aos zumbis destroçados pelo seu martelão (levante a mãozinha, na palma da mão, é o bonde do tigrão). Há sim uma tentativa perto do final do episódio que é o mais próximo de uma remontagem da cena, mas bem leite com pera. Após serem cercados pelos 7.500 zumbis prometidos, em uma das sequências mais tensas, Tyreese é cercado pelos zumbis e deixado para trás por Daryl, Michonne e Bob, mas logo depois aparece banhado em sangue e outros fluídos como o tal The Last Man Standing. É uma cena boa, mas sem o mesmo impacto desejado pelos mais exigentes.

O drama imposto em Isolation é o que mais funciona, e a quarentena é a responsável pelo feito. Vemos uma Carol chorando por Lizzie, uma breve alusão a Sophia; vemos também uma Maggie tentando ser forte para suportar a ideia de que seu amado está a poucos passos da morte; há a dor entre irmãos, Sasha e Tyreese, este último enfrentando a dor da perda consumada e de outra parcialmente garantida. No entanto, é Betty, trancada com Judith em um cômodo na intenção de preservar a saúde de ambas e tendo que conversar com a irmã, do outro lado, apenas ouvindo sua voz, que compõe as cenas mais eficientes nesse quesito, na alegoria do “perto, mas tão longe”, e dando a pitada final a quem ainda pensa que a nova forma de viver já tem todas as suas regras impostas.


Hershel também chega perto de protagonizar outro drama eficaz ao arriscar-se levando um chá aos enfermos, para amenizar sua dor, mas não sinto que funcionou como desejavam. O vi mais como burro do que altruísta. O cara tem duas filhas, mas prefere entrar um em espaço fechado com um punhado de portadores de algo contagioso para fazer a boa vizinhança. Seu discurso foi bonito, pomposo — como sempre —, mas ineficiente. Pensem comigo: bastava abrir a porta, deixar a bandeja com a bebida no chão, fechar a porta, ir até aquele vidro onde Tyreese pôde conversar com Sasha, e pedir para algum dos menos debilitados a servir os doentes. Simples. Sei que estamos assistindo uma série onde o foco é o drama pessoal e interpessoal, mas o bom senso mandou beijos.

No carro, Daryl e sua trupe ouvem, no rádio, uma voz cortada pela interferência falando sobre um abrigo. Se não for algo novo, acredito que possa ser o começo de um dos arcos dos quadrinhos, quando os sobreviventes descobrem a comunidade de Douglas e voltam a viver “normalmente”. É uma sósia de Woodbury, mas sem o líder psicótico, onde os piores inimigos não estão do lado de fora, mas de dentro. É uma possibilidade remota, pois ainda há muito a se explorar na prisão, mas existe.


Para concluir, Isolation tem seus momentos, os dramáticos superando os de ação, e os zumbis quase não dão as caras aqui — o que se compensa quando os 7.500 aparecem (e duvido que tenha mesmo essa quantidade ali. Alguém aí contou?). Após dois episódios estupendos, meu receio de que a adrenalina caísse e o sangue esfriasse se concretizou. Não chega perto do pior episódio da terceira temporada, mas passa longe do interesse transmitido pelos dois anteriores. É preciso parar e respirar, claro, tomar fôlego para o que está por vir, mas espero que esse descanso valha a pena no próximo.

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