Terra Morta – Relatos de Sobrevivência a um apocalipse zumbi: Escrevendo “Encaixotando Natália”, de Gabriel Réquiem

Logo será lançada a coletânea Terra Morta – Relatos de Sobrevivência a um apocalipse zumbi pela Ed. Draco, e os autores que fazem parte desse time foram convidados a compartilhar o processo de criação dos contos. A partir de agora começa uma série de textos que servirão como uma deliciosa entrada para o prato principal.



Como surgiu "Encaixotando Natália"?


“O sol do meio-dia parecia o olho flamejante de um vilão Tolkeniano. Sua luz cáustica fritava toda a parede oeste do edifício, cozinhando os últimos moradores do quinto andar. Um deles, Beto, enxugou o suor na testa. A camiseta ensopada aderia à pele mais intimamente que uma tatuagem.
Havia isolado as janelas com chapas de compensado, bloqueando a brisa de verão. Ainda assim ele sentia frio; não o frio climático, mas um gelo que subia pela espinha como o mercúrio de um termômetro.
Beto voltou a martelar o prego, e cada impacto pesava na consciência. Conforme a ripa colava-se à soleira da porta, comprimia também seu coração.
– Pai, por favor, não me deixa aqui! – gritava a menina, trancada no quarto. Os murros dela eram frágeis, causando um baque surdo no outro lado da madeira.
Beto não conseguia conter as próprias lágrimas. As súplicas de Natália faziam-no imaginar a si mesmo como um Deus vencido pelo mundo, indiferente aos cravos que enfiavam nos pulsos do filho unigênito. Cada vez mais, aquela ripa assemelhava-se ao braço horizontal de uma cruz romana a ser usada no sacrifício de um inocente.”


Sempre fui grande fã de filmes de zumbis, especialmente do remake de Madrugada dos Mortos, de Zack Snyder. Acompanho a mitologia dos cadáveres ambulantes há muito tempo, mas sempre achei as abordagens dentro do gênero um tanto limitadas.

Quando Tiago Toy me convidou para escrever para a antologia de Terra Morta, eu já sabia que precisaria fugir dos modelos zumbis-correndo-atrás-de-nós, pois ele próprio já havia feito algo memorável nesse sentido. Afinal, é uma saga de sobrevivência, de prevalecer diante da selvageria, certo?

Logo, o grande desafio seria: como posso contribuir para um universo pré-estabelecido, repleto de fãs calorosos, sem desonrar o que já havia sido criado?

Eu jamais ousaria inserir alguma nova mitologia, então, surgiu Encaixotando Natália.

Não é uma história sobre os infectados (embora eles estejam lá, sedentos por arrancar o pedaço de alguém), de certa forma, é uma alegoria sobre a perda da infância. Nas linhas desse conto, você encontrará muitas referências, que vão desde filmes como O Cubo ao seriado United States of Tara. Sim, eu disse United States of Tara, por mais inusitado que isso possa parecer.


O resultado dessa quimera... Bem, você precisará ler para conferir.



Conheça o autor Gabriel Réquiem no link abaixo:

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