• 1º Lugar na Lista de Mais Vendidos da Amazon!
  • Você acaba de entrar em uma terra de infectados.
  • O que você seria capaz de fazer para sobreviver?
  • Você mataria ou fugiria de quem ama?
  • Em Terra Morta, sua escolhas são limitadas. Sobreviva!

Lançamento de Terra Morta: Infecção

No último dia 8/02 Tiago Toy (euzinho!) e a Editora Draco lançaram o tão aguardado Terra Morta: Infecção. O lançamento e tarde de autógrafos aconteceu na Geek.etc.br, localizada no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.



















Terra Morta: Infecção já está à venda nas livrarias em formato físico e digital.



São Paulo: A infecção chegou. Esta Terra vai morrer.

Tiago Rodrigues não é um rapaz comum, e não sabe por quê. Ele só queria deixar o interior e viver em São Paulo, mas as coisas não acontecem sempre como queremos. Quando um apocalipse zumbi assola a pequena cidade de Jaboticabal, Tiago inicia uma fuga alucinada pela sobrevivência. Uma vítima do acaso, o rapaz se vê em meio a algo maior do que o aparente fim do mundo, e descobre ser o principal alvo da empresa farmacêutica LAQUARTZ.
Após ser preso pela misteriosa corporação, Tiago consegue escapar com sua companheira Daniela para São Paulo, mas fracassam em evitar que a tragédia os siga até a metrópole. Resgatada por pessoas que parecem saber o que está acontecendo, a dupla refugia-se em um decadente hotel de corredores escuros onde ouve-se apenas o coro de berros famintos do lado de fora, e os sussurros dos não-infectados e seus segredos obscuros do lado de dentro.
Terra Morta: Infecção é a continuação da série de Tiago Toy, que começou em um blog na internet e infecta cada vez mais fãs. Começando onde Terra Morta: Fuga terminou, Infecção é mais tenso e sombrio que o primeiro livro, um ensaio visceral e amargo sobre a terrível natureza da humanidade que se revela nos piores momentos. Quão preparado está o Brasil para enfrentar algo que não foi previsto nem pelas mais ousadas imaginações?

Terra Morta: Infecção, Tiago Toy

Papel: CulturaAmazon

E-book:  Kobo | AmazonAppleCultura | 

Saraiva | TravessaGoogle

Autor: Tiago Toy
ISBN: 978-85-8243-059-0
Gênero: Terror, aventura, apocalipse zumbi
Formato: 14 cm x 21 cm
Páginas: 520
Preço de capa: R$ 59,90(papel)
R$ 24,90 (e-book)
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Desafio Terra Morta: Infecção #EspalheaInfecção



Olá, infectados, vocês já sabem que Terra Morta: Infecção, o meu novo livro, está em campanha no Catarse com um projeto incrível (conheça mais clicando aqui). Há vários níveis de contribuição e todas dão direito a alguma recompensa, desde o livro digital ou o físico, camisetas, até mesmo a sua participação como um personagem dentro do livro, com sua morte narrada de maneira especial e sangrenta integrada à história.
Pois bem, queremos agitar esse projeto e fazer barulho na rede. A infecção está se espalhando e quanto mais infectados, melhor fica o projeto. A ideia do crowdfunding é que quanto mais é arrecadado, mais incrementado ficará o produto final. E é pensando nisso que convidamos vocês para o Desafio Terra Morta: Infecção.
Você tem um blog? Facebook? Twitter? Não importa qual seja sua rede. Faça uma divulgação da campanha do Catarse de Terra Morta: Infecção e ganhe chances no sorteio do livro! É isso mesmo: entre todos que divulgarem a campanha, vamos sortear três exemplares em papel autografados do super lançamento Terra Morta: Infecção.
Mas como funciona?
Você tem várias maneiras de participar. Vamos a todas elas:
  1. Você tem um blog? Então divulgue o release da campanha (baixe em DOCX ou em PDF) e ganhe 5 entradas no sorteio.
  2. Você tem um perfil ou uma página no Facebook? Divulgue o release da campanha (baixe em DOCX ou em PDF) e ganhe 3 entradas no sorteio.
  3. Você tem um perfil no Twitter? Divulgue o link da campanha (http://catarse.me/terramorta) e ganhe 1 entrada no sorteio (apenas uma divulgação por dia, para não lotar o Twitter dos sobreviventes e ser morto pelos agentes contra infectados).
Após a divulgação, lembre-se de enviar um e-mail para editoradraco@gmail.com com o seu nome, e-mail e link da divulgação (seja blog, face ou twitter). Depois disso, cruze os dedos e aguarde: o lançamento de Terra Morta: Infecção está previsto para o meio do ano e o sorteio será realizado junto com o lançamento. Apenas um sobrevivente ganhará um exemplar autografado pelo Tiago Toy com dedicatória exclusiva por sua coragem ao enfrentar a infecção.
O desafio está lançado. Será que você vai sobreviver? Corra sem olhar para trás, Terra Morta: Infecção vem aí.

Ah, se você preferir, pode colar o código abaixo no editor de texto do seu blog:

Terra Morta - Infecção, por Tiago Toy
Editora Draco e Tiago Toy lançam campanha no catarse para Terra Morta: Infecção. Tiago Toy, autor da série Terra Morta, que começou na internet e hoje é uma publicação de sucesso pela Editora Draco, inicia campanha no Catarse para financiamento coletivo de seu novo livro, Terra Morta: Infecção. O livro Terra Morta: Infecção terá um preço muito convidativo aos participantes da campanha e virá com ilustrações em cada capítulo feitas por Celso Azevedo, ilustrador aficcionado por histórias de zumbis e um dos responsáveis pelo incrível Planeta Morto. Os leitores podem começar com uma contribuição de R$ 10,00 que dá direito ao e-book, R$ 30,00 que dá direito ao livro impresso autografado e assim por diante, sendo que cada recompensa inclui itens de colecionador como camisetas, presença na página de agradecimentos ou mesmo a participação da pessoa como um personagem dentro do livro e uma ilustração personalizada, reservada aos que contribuem nos níveis mais altos. Os interessados podem conhecer a página do projeto em http://catarse.me/terramorta e assistir ao empolgante vídeo que mostra a trajetória da série e mesmo alguns esboços das ilustrações do livro, apresentado pelo próprio autor Tiago Toy. Ele já está em fase de acabamento do livro e aguarda ansioso para poder colocar um pouco de cada um dos leitores que são parte essencial do universo de Terra Morta dentro desse volume que se passará na capital de São Paulo. A aventura continua com Tiago e Daniela, unidos a personagens intrigantes na luta pela sobrevivência. Amigo ou inimigo, é impossível saber logo de cara. Todos continuam correndo sem olhar para trás na caótica realidade de Terra Morta: Infecção.
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Terra Morta: Infecção


Não lembro que dia é hoje.
Nas últimas semanas, sobreviver se tornou mais usual do que olhar calendários. Os dias ficaram mais longos e cansativos enquanto espero uma salvação, ou pelo menos o fim.
Olá, meu nome é Tiago Toy, e sou o autor da série Terra Morta.
Terra Morta começou na internet, meio por acaso, meio pela vontade de pôr as ideias no papel antes que elas explodissem dentro da minha cabeça. Porém, acima de tudo, foi uma forma importante de continuar seguindo adiante e enfrentando a vida, sem olhar para trás.
É. É isso que Terra Morta representa para mim naquele momento: a vontade de seguir em frente quando tudo parece ter acabado, quando a esperança é menos do que um fiapo. Acho que foi por isso que o blog começou a dar tão certo e os leitores se identificaram tanto. Não demorou muito e veio a comunidade no Orkut, as cobranças por novos capítulos e… o convite para a publicação.
Calma! Agora que me dei conta de que talvez você não saiba do que estou falando. Bem, Terra Morta é uma trilogia apocalíptica sobre zumbis passada em São Paulo. Uma história centrada nos sobreviventes e que mostra que o homem é o pior dos inimigos.
Em 2010 firmei contrato com a Editora Draco http://www.editoradraco.com para transformá-la em livros. Aí veio o processo de edição e revisão, muito desgastante e trabalhoso. Por uma decisão do editor, dividimos o material do blog em 3 volumes e criamos um final exclusivo para a série de livros. Só depois de muito trabalho conseguimos pôr o livro no mercado, no final de 2011.
Por ser uma editora pequena, sei que o livro ficou com um preço de capa mais caro do que gostaria, do que os leitores gostariam. Mas mesmo assim tivemos um ótimo lançamento, uma pré-venda que me deixou com os braços doendo de tanto autografar, e na posição de um dos autores mais vendidos da Editora Draco.
Enquanto trabalhava no segundo volume, organizei uma coletânea sobre o universo de Terra Morta que acaba de ser lançada – Terra Morta: Relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi. Agora quero terminar o novo livro da série, porque sei que os infectados estão no meu pé querendo saber o desdobramento dessa história . E antes que eles me peguem, quero entregar a vocês, prontinho, o volume 2 – Terra Morta: Infecção.
Essa história se passará na capital São Paulo, a mesma cidade caótica que me acolheu quando vim do interior. Mas tenho a impressão de que trouxe os infectados comigo, então o bicho vai pegar!
A ideia do financiamento coletivo é muito simples, na verdade. Ser um autor no Brasil é um grande desafio, mas essa primeira etapa eu já venci. O que quero agora é que Terra Morta chegue ao maior número possível de pessoas, quero ver todo mundo infectado por essa história. E, com a ajuda de vocês, podemos conseguir isso com um preço justo e com recompensas exclusivas para os verdadeiros fãs desse universo.
Acompanhando o trabalho da Draco eu vi as dificuldades da distribuição de uma editora. Se o livro está em menos lugares, a quantidade impressa é menor, o preço fica mais caro, e esse ciclo acaba se repetindo indefinidamente. Outra consequência direta é a baixa remuneração do autor, já que o giro é devagar e os acertos de contas demoram. Assim sendo, pensamos nesse modelo que coloca o autor e o leitor em contato direto, e que nos parece ser a melhor solução para todo mundo.
Do dinheiro arrecadado, 13% é do Catarse e do sistema de cartões de crédito. Pagaremos então a impressão e todos os custos de frete, e o que sobrar será dividido 60% para mim, o autor, e 40% para a Editora, que tem os custos de edição de texto e de arte, enfim, a parte de fazer o produto estar na sua mão.
Isso quer dizer que com o financiamento coletivo finalmente temos a chance dos autores terem uma remuneração adequada e o público decidir o que quer ler com um preço muito acessível. O livro terá bem mais de 300 páginas e ilustrações do Celso Azevedo, que é um desenhista que manja tudo de terror e zumbis. Olha algumas coisas dele no nosso vídeo acima. Quem quiser colaborar com um pouco mais, ganha algo exclusivo, dentro das categorias propostas. Eu preciso ir! Os infectados estão quase aqui, e é melhor eu ir embora. Eles não param de me cobrar o novo Terra Morta, a porta está quase cedendo. Vou lá garantir que o livro esteja nas suas mãos o mais breve possível!
Agora corra! Mas já sabe: é melhor não olhar para trás.
Ah, é? Então seja um infectado por sua conta e risco: confira os níveis de colaboração e recompensas.
Espectador – R$ 10,00
O primeiro nível custa apenas R$ 10,00. Isso dá pra comer um hotdog ou um pastel e um copo de garapa. Mas quem estará vivo para prepará-los?
1- Livro “Terra Morta: Infecção” em formato digital (epub ou mobi);
2- Seu nome nos agradecimentos do livro;
Sobrevivente – R$ 30,00
Esse nível custa apenas R$ 30,00. Isso dá pra sobreviver por um dia em São Paulo, dá duas conduções e um lanche de fast food completão. Só se lembre que não vai ter nada funcionando…
Todas as anteriores e +:
3- Livro “Terra Morta: Infecção” em formato impresso, autografado e com dedicatória;
4- Wallpapers e avatar para as redes sociais exclusivos;
Infectado – R$ 60,00
O segundo nível custa R$ 60,00. Isso compra uns 3 pacotes de água ou uns de pão de forma. Mal dá para passar uma semana, né.
Todas as anteriores e +:
5 – Livro: “Terra Morta: Fuga” em formato impresso, autografado e com dedicatória;
6 – Cinco contos de terror em e-book do autor Tiago Toy (formato mobi ou epub);
7 – E-book em formato e-pub ou mobi (você decide) dos dois primeiros livros com dedicatória exclusiva pelo autor Tiago Toy;
Walking Dead – R$ 150,00
O terceiro nível custa R$ 150,00. Isso não dá umas 20 barras de chocolate. Você terá energia para correr bastante e aguentar perrengues. Mas seria melhor dividir os recursos comprando água e pão também, antes que as massas embolorem.
Todas as anteriores e +:
7 – Livro: “Terra Morta: Relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi” em formato impresso autografado pelo Tiago Toy;
8 – Livro: “Terra Morta: Relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi” e-book em formato e-pub ou mobi com dedicatória exclusiva pelo autor Tiago Toy;
9 – Camiseta exclusiva “Eu fui infectado por Terra Morta”.
10 – 1 livro de sua escolha do catálogo da Editora Draco (sujeito à disponibilidade dos títulos)
Infectado Mutante – R$ 250,00
Todas as anteriores e +:
11 – Seja um personagem de Terra Morta que vai morrer da forma que escolher, com nome e descrição criados por você (pode ser você mesmo, sua ex-namorada, sua sogra, enfim, a zueira não tem limites!)
12 – E-books de cada conto individuais de: “Terra Morta: Relatos de sobrevivência a um apocalipse zumbi” e-book em formato e-pub ou mobi;
13 – 2 livros de sua escolha do catálogo da Editora Draco (sujeito à disponibilidade dos títulos)
Tyrant Infectado Mutante Monstruoso Plus – R$ 500,00
Esse é o último nível, custa R$ 500,00. Dá pra comprar umas 10 cestas básicas, é comida pra caramba. Mas você sabe cozinhar? Terá que arrumar um lugar sossegado para não deixar os infectados te encontrarem por conta da fogueira, hein?
Todas as anteriores e +:
14 – Tenha o seu personagem desenhado em formato A4, à mão, pelo ilustrador oficial, Celso Azevedo.
15 – Uma das ilustrações originais do livro (caso o livro chegue à meta extra de conter as ilustrações dos capítulos).
16 – Participe de um encontro com o autor Tiago Toy (para maiores de 14 anos) e converse com ele sobre literatura, games, como foi o seu processo de criação, suas referências e ideias para a série de zumbis mais querida do Brasil.
17 – HQ exclusiva de Terra Morta, com história escrita por Tiago Toy e ilustrada pro Celso Azevedo, impressa em papel couché e com capa colorida.
18 – 5 livros de sua escolha do catálogo da Editora Draco (sujeito à disponibilidade dos títulos)
Opa, esqueci de falar uma coisa! Quanto mais conseguirmos arrecadar, mais legal ficará o projeto Terra Morta: Infecção. Se passarmos dos R$ 10.000,00, desbloquearemos METASEXTRAS ATERRORIZANTES. Só chegando lá para ver. Vamos nessa? Rápido, os infectados estão chegando.
FUI!
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PROMOÇÃO DE NATAL DE 23 A 26/12



De 23 a 26/12. Meus contos disponíveis gratuitamente na Amazon.

Você que sempre teve curiosidade em conhecer meus outros trabalhos além de Terra Morta, ou que quer ler escritos mais reduzidos antes de se aventurar em meu romance, eis a chance.

Aproveite, pois não costumo ser tão bonzinho assim. Na verdade, sou péssimo. Mão fechada mesmo. Espírito natalino faz essas mer%@& com a gente.

Acesse o link abaixo e baixe todos eles:

http://www.amazon.com.br/s?_encoding=UTF8&field-author=Tiago+Toy&search-alias=digital-text

#zumbis #terramorta #terror #apocalipse
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Terra Morta – Relatos de Sobrevivência a um apocalipse zumbi: Escrevendo “A Metade de Meia Dúzia”, de Felipe Castilho

Logo será lançada a coletânea Terra Morta – Relatos de Sobrevivência a um apocalipse zumbi pela Ed. Draco, e os autores que fazem parte desse time foram convidados a compartilhar o processo de criação dos contos. Continuamos com a série de textos que servirão como uma deliciosa entrada para o prato principal.


"Não sabia direito o que estava fazendo. Embreagem, freio, acelerador. Não conseguia se lembrar das aulas de direção de seu pai. Restava apenas o desespero. A picape deu um salto engasgado para frente, e os infectados começaram a subir para cima do capô. Os vidros traseiros do veículo começaram a trincar. Alguns zumbis usavam a própria cabeça para se livrarem da barreira transparente entre eles e a sua presa. Como qualquer animal selvagem, a fome os deixava mais perigosos."


Eu conheci Terra Morta no início de 2011, quando ainda era um blog e quando eu ainda nem tinha o contrato do meu primeiro romance. Nunca fui muito de ler no computador, pois eu ficava com uma dor de cabeça do caramba. Meus olhos doíam e o chip alienígena implantado na minha cabeça zunia. MAS, notei que o que rolava por lá era uma história de zumbis no interior paulista! Como morei por um bom tempo fora da capital de São Paulo, achei bacana alguém se dignar a escrever algo nessa linha fora dos grandes polos metropolitanos. A curiosidade venceu. Colei uns capítulos do blog no Word, imprimi e fui para casa lendo as aventuras de Tiago, o parkour de Jaboticabal.

Algumas semanas depois, a Editora Draco anunciou que iria publicar a história (viva!) e em seguida pipocou na web uma chamada do próprio autor para pessoas que quisessem participar de uma coletânea se passando dentro do universo proposto em Terra Morta. Eu, que nunca tinha escrito nada sobre mortos-vivos, achei que seria um gatilho bacana pra testar esse meu lado inédito, e mandei um texto para o e-mail indicado um tempo depois. No mesmo dia do envio, o Sr. Tiago Toy me respondeu. Na hora pensei que fosse resposta alguma resposta automática ou confirmação de recebimento, mas o bichinho leu rápido mesmo! Curtiu o que estava lá, e me disse que se a coletânea fosse rolar mesmo, eu estaria dentro. Eba, vitória! De quebra, fiquei brother do Tiago, e hoje posso considerá-lo um grande amigo.

Estamos aqui então, no finalzinho de 2013, e “A Metade de Meia Dúzia” está prestes a ver a luz do dia!
A minha ideia era fazer uma espécie de “(500) Dias Com Ela” com infectados. Idas e vindas na narrativa, amores não correspondidos, frescurites de apaixonadinhos... e tudo regado com sangue. Arranjei um tempinho para me vingar pessoalmente de figurinhas que eu odiava na época, e que hoje estão bem mais mortas para mim do que todas aquelas fictícias pessoas inocentes em Jaboticabal.

A referência para a faculdade que aparece no conto é o Mackenzie. Vai, é o Mackenzie. Eu posso falar isso aqui, neste post, no conto não. Mas pensei em toda aquela molecada que fica matando aula e enchendo a cara nos botecos da Maria Antônia, e me deu uma vontade de ver alguns deles passando dificuldades verdadeiras uma vez na vida. Sim, eu fiz jovens ricos morrerem no meu conto. Me julguem.


Acho que não tenho muito o que falar mais à respeito do processo de escrita desta história. Ele foi divertido de se fazer, pois eu estava feliz em poder contar a minha primeira história de zum... digo, de infectados. E mesmo depois de dois anos, apesar de ter mudado bastante meus conceitos sobre escrita e o mercado literário, continuo achando que estar feliz e empolgado com o que você produz é a primeira e mais importante coisa que um escritor precisa para fazer o trabalho bem-feito. Espero que vocês gostem das minhas páginas em tributo à esse universo horrivelmente bacana que o Toy nos presenteou.



Conheça o autor Felipe Castilho nos links:
Facebook Pessoal


Você pode ver os textos anteriores abaixo:

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[ANÁLISE] The Walking Dead 4x04 Indifference

O texto abaixo apresenta spoilers, tanto da série quanto dos quadrinhos.

Mantendo o ritmo do episódio anterior, Indifference apresenta um roteiro tranquilo, e senti que de algum modo voltamos às origens de The Walking Dead, com buscas por suprimentos, sobreviventes encurralados por zumbis em massa, apresentação de novos personagens. Até há pouco não tinha conhecimento sobre a mudança de showrunner, passando de Darabont para Glen Mazzara e, atualmente, Scott M. Gimple. Pesquisando sobre a figura, descobri que Scott é grande fã dos quadrinhos e está tentando trazer referências da trama original à série, o que já podemos notar com a evolução de Tyreese, aproximando-o muito do personagem da HQ, até a evolução de Carol, aproximando-a do que Andrea poderia ter sido.

Desde que deu as caras, Carol não foi bem aceita pelos fãs. Tendo como semelhança com a Carol dos quadrinhos apenas o branco do olho, as maiores críticas pesavam principalmente sobre suas características físicas. Confesso que fui um desses, chegando a dizer que ela estava mais para mãe da Carol do que a própria. Hoje posso dizer que ela se tornou uma das personagens mais queridas, trazendo uma riqueza de construção e carisma incríveis, ambos com força o bastante para carregá-la por muito mais tempo — especialmente neste episódio. Desde o primeiro minuto senti que algo aconteceria a ela, e temi.


Despedindo-se de Lizzie, Carol diz que vai sair com Rick em busca de comida. Enquanto discursa à pequena sobre as maneiras de sobreviver, desta vez com um tom de despedida, Rick arruma as coisas no carro, com cara de quem sabe que precisa tomar uma decisão, mas que não quer tomá-la. Ao longo do episódio há dois grupos de personagens com mais enfoque (vários estavam de folga e nem deram as caras, como Glenn, Carl, Maggie, Hershel, Betty, entre outros... e sinceramente, estava tão bom que nem fizeram falta), mas é Rick e Carol quem mantêm o interesse sempre avivado. Quando o suspense circunda um personagem com quem nos importamos, a quem vimos crescer e desabrochar, é muito mais eficiente. Sabemos que algo acontecerá com Carol, mas há uma incapacidade de saber o que exatamente. Salvo em raros momentos, ninguém nunca sabe o que esperar na próxima reviravolta.

Havia três possibilidades: Rick mataria Carol, ou Carol morreria pelas mãos de um zumbi qualquer (a pior das três), ou Rick diria “Você não é mais bem-vinda na prisão”. Meu palpite seguia a terceira alternativa, pois há muito mais por trás da trama de Carol do que nos foi entregue. Eis a explicação:

1º) Carol decidiu ministrar aulas de combate e defesa exclusivamente às crianças como uma forma de homenagear Sophia. Na época em que a garota ainda era viva, Carol não passava de uma quarentona com medo da própria sombra e que foi incapaz de proteger a filha. Agora, busca reparar esse erro ensinando-as a se protegerem. Em seguida, um pai morre e deixa as duas filhas sob os cuidados de Carol. Por mais que tenha evoluído, a dor da perda nunca será extinta, e ter novamente alguém que depende dela para sobreviver traz à tona resquícios de um instinto materno até o momento adormecido. Carol jura protegê-las, custe o que custar.

2º) Após ser chamada de fraca, Lizzie pega a faca de Carol, passando a imagem de que conseguirá fazer o que deve ser feito, ainda que não consiga distinguir claramente a diferença entre humanos saudáveis e zumbis. Logo em seguida Karen e David aparecem mortos. Rick investiga e encontra a marca de uma mão no umbral da porta, deduzindo que o responsável pelos assassinatos é Carol. Sem pestanejar ela assume o “crime”.


Aí que entra o buraco. A marca na porta era de uma mão menor (sinceramente não percebi diferença, mas ao ver Rick colocando a sua própria sobre a marca, entendi que a mensagem oculta era o tamanho), que, se analisarmos bem, concluiremos que pertence a Lizzie. Um bom argumento seria que Lizzie quis provar ser forte, mostrar que era capaz de fazer o certo, e acabou matando Karen e David, o que Carol descobriu logo depois e, ainda tentando protegê-la, encobriu (muito mal) o feito, e quando se viu encurralada, assumiu a culpa. Explicaria a despedida antes de sair com Rick e seria um bom motivo para fazê-la voltar à prisão. Convenhamos: um personagem tão importante não pode ser deixado às traças daquela forma, e espero mesmo estar certo, e que Carol volte com todas as merecidas pompas. A luz no fim desse túnel é a possibilidade de Daryl finalmente abrir os olhos e, com a ausência da (ainda não descoberta) amada, partir em sua busca.

Rick pode ter feito muito pelo grupo, mas não seria alguém em quem eu confiaria para me proteger. O cara é inconstante demais! Se agora ele grita aos quatro ventos que há coisas que devem ser feitas para a sobrevivência dos demais, daqui dez minutos pode mudar completamente o repertório e nos fazer ter um microderrame cerebral. Minha primeira e mais insistente reclamação (embora seja algo pessoal e não pese na opinião geral) são seus trejeitos. Como me irrita o modo como Andrew Lincoln atua! Sempre olhando para o lado, fazendo a Regina Duarte com cara de cachorro-sem-dono, com seus maneirismos “do gueto”. Talvez seja influência do passado do personagem, um policial sempre às voltas com bandidos e que acabou “pegando” seus gestos. Ou é apenas a atuação de Andrew.

A segunda é o olhar de louco que Rick carrega desde que acordou naquele hospital. Para mim, ele perdeu seu eu no instante em que se deparou com o primeiro zumbi. É um homem fraco que esconde sua fraqueza na imagem de forte, esta se fragmentando aos poucos sob as severas rupturas que vão surgindo a cada perda. Acredito que os únicos motivos que ainda o mantém de pé são os filhos — os mesmos por ter abandonado Carol à própria sorte. Sem Carl ou Judith, o verdadeiro Rick viria à tona num estalar de dedos e se mostraria tão ou mais perigoso do que dez Governadores. Em uma entrevista, Andrew disse que só deixará TWD quando Rick for mordido, mas há chances de ser morto por quem menos espera, provavelmente Carl. Este se mostrou outro personagem bastante evolutivo, e chegará o momento em que reivindicará seu lugar, o sucessor do “líder”. Bem, acho que estou me adiantando demais em minhas teorias. Voltando à análise...


Na empreitada, Carol e Rick encontram um casal de sobreviventes, Sam e Ana, que são uma ótima adição em trazer um alívio cômico à tensão constante. Não há aquela comédia escrachada, mas algo, especialmente em Sam, que noz faz rir. Não acredito que tenham sido apresentados à toa — Ana não vai muito longe, concluindo sua aparição especial como McLanche Feliz para zumbis. Sam tem o ombro deslocado colocado de volta por Carol, e é onde sabemos mais um detalhe de seu passado. Quando questionada por Rick (que não aguentou ver um ombro ser colocado no lugar; ou seja, fraco) sobre como aprendeu a técnica, Carol relembra a vida de casada, quando apanhava e precisou recorrer à internet para aprender a se curar sozinha. Detalhes que tornaram o episódio à primeira vista lento em um dos mais prazerosos a se assistir. Voltando a Sam...

O personagem tem um quê de louco, embora tenha sido bastante receptivo e simpático. Carol e Rick ainda o aguardam um pouco, mas ele não aparece. Algo me diz que ele se encontrará novamente com Carol e mostrará quem realmente é, se for mesmo um lunático. Poderia ser apenas uma teoria furada da minha parte, mas não acho que tenha sido à toa Sam estar nas fotos encontradas em uma loja por Daryl e Bob. Posso estar enganado, mas o rapaz loiro nas fotos se parece muito com o amigo de Ana. Nas imagens, quatro pessoas, incluindo o loiro, exibem armas e bebidas. Talvez seja o começo de uma nova subtrama mais obscura do que aparenta... talvez não.


Do outro lado está o outro grupo, formado por Daryl, Michonne, Tyreese e Bob, à caça dos medicamentos. Seus momentos são o que me fez sentir de volta às origens de TWD, quando Glenn e Rick se aventuravam em construções abandonadas em busca de suprimentos. São sequências clássicas do gênero e que fazem qualquer fã se deleitar, em especial se os sobreviventes forem cercados. Após ataques de burrice por parte de Tyreese, que se mostrou mais fraco do que forte por quase desistir do objetivo antes de saber se realmente era tarde demais, e sorrisos de uma Michonne no cio para Daryl (o sorriso de Michonne me fez lembrar da música da Valeska Popozuda, “Quero Te Dar” [o meu nome é Michonne e o apelido é quero dar ♪]. Há outras necessidades além de se alimentar, oras!), o roteiro foca em Bob e seu problema com bebidas. Não sinto que o personagem tenha força para manter o drama sem parecer piegas. Teria sido muito mais profundo ver um dos personagens importantes começando com o vício aos poucos e prejudicando o bem estar do grupo do que inserir um novo, sem carisma, para cumprir esse papel.

Por exemplo, quando descobrem que ele está levando apenas uma garrafa de bebida na bolsa (e quase morre para salvá-la) e Daryl grita que não há remédios nela, foi uma barra forçada por demais. O infeliz estava procurando medicamentos com Michonne. Tudo bem, leve sua pinga, mas havia MUITO espaço para outras coisas, principalmente cartelas e caixas pequenas de remédios. Teria sido menos cafona se Bob tivesse colocado os companheiros em risco por causa de uma bebida, como fez (ainda que sem querer) no mercado. Sinto dramalhão embaraçoso vindo aí.

Outro detalhe mal explicado foi o fato dos zumbis da universidade estarem TODOS com a mesma doença que tomou conta da prisão, como se fosse apenas para dar um grau extra no sentimento de perigo. Na cerca havia apenas um zumbi com os olhos sangrando, e pode ter vindo dele a doença, mas então, tecnicamente, ele teria vindo da universidade, que fica a quilômetros de distância. Se for o caso, é muita coincidência Daryl e seus companheiros terem ido parar justamente onde a doença se originou.


Apesar dos pesares (ou eu que sou muito chato), Indifference é um dos melhores episódios da quarta temporada. Não se sustenta em ação desmedida ou em dramas inconsistentes; pelo contrário, foi ótimo sentar com Rick e Carol e saber um pouco mais do que pensam, relembrar como eram antes da merda ser colocada dentro do ar-condicionado (fede mais do que quando atinge o ventilador). É como se as melhores teorias fossem construídas em momentos de calmaria. Afinal, não dá para se importar com um personagem que só corre e atira. A ação é importante para nos manter alertas na poltrona, mas o terror psicológico é mais eficiente do que qualquer horda de 7.500 zumbis.
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[ANÁLISE] The Walking Dead 4x03 Isolation

O texto abaixo apresenta spoilers, tanto da série quanto dos quadrinhos.

Costumo escrever as análises sobre The Walking Dead logo após assistir os episódios, mas o terceiro não me animou. Três dias depois e estou eu aqui, pensando no que falar sobre Isolation. O ritmo da quarta temporada estava frenético, mas neste último sentimos que o roteiro desacelerou para tomar um ar. Não foi ruim de todo, não mesmo, mas senti que houve momentos sem importância presentes apenas para cumprir a cota de 40 e poucos minutos.

Seguindo os eventos do episódio anterior, onde os figurantes foram quase todos para a terra dos eternamente deitados após um ataque-zumbi-surpresa, aqui vemos Glenn e Maggie preparando algumas covas e com uma expressão no rosto que nos faz acreditar que logo acontecerá algo de muito ruim com um deles. Nos anteriores senti que nenhuma atenção foi direcionada ao casal, apenas mostrando momentos românticos e nada mais, e deduzi que a artimanha seria uma preparação para o que estava por vir.


Quem acompanha os quadrinhos sabe que Glenn morre de um modo deveras violento no arco atual — uma das cenas mais chocantes da HQ —, e sabemos também que ninguém está a salvo na série de TV, mas matá-lo agora seria uma filhadaputagem colossal. Diferente da história original, aqui é Maggie quem detém o título de personagem mais carismático da dupla, e não vejo em que mais Glenn pode contribuir além de engravidar a moça e deixá-la com um filho para criar sozinha. Por isso eu temo. Como era esperado, Glenn é um dos infectados pela tal doença e se encontra na quarentena, junto com Sasha, Lizzie e outros gatos-pingados, mas, sinceramente, não sinto que os roteiristas nos darão boas notícias sobre o oriental em breve.
Outra dedução minha — falha — foi que Karen e David haviam se suicidado em um último ato de declaração de amor secreto, o que remeteria a um dos acontecimentos do arco da prisão nos quadrinhos, mas me enganei. Até os deuses erram, humpf!

Tyreese cobra uma posição de Rick, pois, embora o ex-policial pareça estar afastado da liderança do grupo, junta o “(ex) policial” e “crime misterioso” e conclui que é responsabilidade dele descobrir quem é o culpado. E lá vai Rick brincar de Detetive, da Estrela. Se o intuito era nos brindar com uma dose de suspense vindo da busca pelo assassino, particularmente acredito que falhou. Rick apenas encontra uma marca de mão ensanguentada no umbral e, por ser um pouco menor do que a sua, automaticamente descobre quem é a culpada? Pode ter sido desatenção da minha parte, embora tenha voltado a cena algumas vezes, mas não fez sentido. Há tantas mulheres na prisão e, pelo motivo apresentado pela assassina, nossa querida Carol, qualquer uma poderia ter pensado em dar cabo do casal para livrar a prisão do risco de a doença se espalhar. A meu ver, a investigação de Rick foi muito forçada; qualquer zé ruela poderia ter deduzido aquele desfecho. Talvez tenha sido Rick o escolhido para trazer à série outra cena dos quadrinhos, a briga entre ele e Tyreese.


Falando de Tyreese, estava receoso de que o personagem não conseguisse trazer a essência do original. O Tyreese dos quadrinhos tem personalidade forte, não engole desaforo e é (era) um dos mais queridos, mas o da série estava sendo apenas ok. Neste terceiro episódio o jogo muda e o roteiro dá uma brecha maior para que ele seja melhor desenvolvido. Como a cena do suicídio romântico não aconteceu, se pudéssemos escolher alguma outra que tenha marcado o arco da prisão — e ligada ao personagem — seria quando ele é deixado sozinho no refeitório, cercado por uma rempa de zumbis, e consequentemente dado como morto, apenas para depois surgir como The Last Man Standing em meio aos zumbis destroçados pelo seu martelão (levante a mãozinha, na palma da mão, é o bonde do tigrão). Há sim uma tentativa perto do final do episódio que é o mais próximo de uma remontagem da cena, mas bem leite com pera. Após serem cercados pelos 7.500 zumbis prometidos, em uma das sequências mais tensas, Tyreese é cercado pelos zumbis e deixado para trás por Daryl, Michonne e Bob, mas logo depois aparece banhado em sangue e outros fluídos como o tal The Last Man Standing. É uma cena boa, mas sem o mesmo impacto desejado pelos mais exigentes.

O drama imposto em Isolation é o que mais funciona, e a quarentena é a responsável pelo feito. Vemos uma Carol chorando por Lizzie, uma breve alusão a Sophia; vemos também uma Maggie tentando ser forte para suportar a ideia de que seu amado está a poucos passos da morte; há a dor entre irmãos, Sasha e Tyreese, este último enfrentando a dor da perda consumada e de outra parcialmente garantida. No entanto, é Betty, trancada com Judith em um cômodo na intenção de preservar a saúde de ambas e tendo que conversar com a irmã, do outro lado, apenas ouvindo sua voz, que compõe as cenas mais eficientes nesse quesito, na alegoria do “perto, mas tão longe”, e dando a pitada final a quem ainda pensa que a nova forma de viver já tem todas as suas regras impostas.


Hershel também chega perto de protagonizar outro drama eficaz ao arriscar-se levando um chá aos enfermos, para amenizar sua dor, mas não sinto que funcionou como desejavam. O vi mais como burro do que altruísta. O cara tem duas filhas, mas prefere entrar um em espaço fechado com um punhado de portadores de algo contagioso para fazer a boa vizinhança. Seu discurso foi bonito, pomposo — como sempre —, mas ineficiente. Pensem comigo: bastava abrir a porta, deixar a bandeja com a bebida no chão, fechar a porta, ir até aquele vidro onde Tyreese pôde conversar com Sasha, e pedir para algum dos menos debilitados a servir os doentes. Simples. Sei que estamos assistindo uma série onde o foco é o drama pessoal e interpessoal, mas o bom senso mandou beijos.

No carro, Daryl e sua trupe ouvem, no rádio, uma voz cortada pela interferência falando sobre um abrigo. Se não for algo novo, acredito que possa ser o começo de um dos arcos dos quadrinhos, quando os sobreviventes descobrem a comunidade de Douglas e voltam a viver “normalmente”. É uma sósia de Woodbury, mas sem o líder psicótico, onde os piores inimigos não estão do lado de fora, mas de dentro. É uma possibilidade remota, pois ainda há muito a se explorar na prisão, mas existe.


Para concluir, Isolation tem seus momentos, os dramáticos superando os de ação, e os zumbis quase não dão as caras aqui — o que se compensa quando os 7.500 aparecem (e duvido que tenha mesmo essa quantidade ali. Alguém aí contou?). Após dois episódios estupendos, meu receio de que a adrenalina caísse e o sangue esfriasse se concretizou. Não chega perto do pior episódio da terceira temporada, mas passa longe do interesse transmitido pelos dois anteriores. É preciso parar e respirar, claro, tomar fôlego para o que está por vir, mas espero que esse descanso valha a pena no próximo.
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[ANÁLISE] The Walking Dead 4x02: Infected

O texto abaixo apresenta spoilers, tanto da série quanto dos quadrinhos.


Desde que a série deu os primeiros indícios de que se afastaria dos quadrinhos nunca pensei que o diria, mas finalmente estou contente com o rumo tomado em The Walking Dead. Claro, após me conformar com a perda de personagens como Andrea e T-Dog (mentira este último) e testemunhar atos atrozes criados pela direção corajosa de Frank Darabont, só se eu fosse muito masoquista para ainda esperar alguma linearidade com a história original.

Apontando apenas um exemplo, a ideia de inserir na trama uma nova forma de morrer a qualquer momento além de ser mordido foi, mesmo que não original, uma jogada de gênio. Como já disse, zumbis são bons, mas não se sustentam por muito tempo sem cair na mesmice se forem os únicos responsáveis pelos momentos de tensão. E convenhamos: quem assiste The Walking Dead quer ver zumbis! As picuinhas paralelas precisam acontecer, é lógico, mas se os zumbis forem transformados literalmente em panos de fundo aí a coisa descamba para um drama forçado e não há público-alvo que aguente. Só por isso a quarta temporada começou com o pé direito. E olha que eu não estava nenhum pouco ansioso pela estreia.
O episódio começa com um momento romântico — e embaraçoso — entre Tyreese e Karen, onde ele faz o sentimental pela perda de Zack (no capítulo anterior) e ela faz ânus-doce para não ir para a cama com o grandalhão — e neste detalhe acredito que o desfecho do episódio aproveitou um gancho para trazer um dos pontos de destaque dos quadrinhos, mas com uma roupagem diferente. Já chegaremos lá.

Do lado de fora da prisão, nas cercas, alguém oculto pelo breu alimenta os zumbis com um ratinho. Durante os minutos seguintes fiquei martelando quem poderia ser, até que cheguei a uma conclusão plausível — e, de novo, já chegaremos lá.


Como vimos no final do anterior, Greg... quer dizer, Patrick (força do hábito) se levanta já transformado em zumbi e vaga pelos corredores até chegar ao bloco D, onde estão os personagens de menos importância, graças. Patrick-zumbi encontra as celas abertas, d’onde cortinas são balançadas pelo vento, e é como aqueles programas de auditório onde o prêmio está atrás de determinada porta. Você fica pensando: “Quem será o infeliz da vez”, e suspira aliviado — enquanto faz careta de asco ao assistir o banquete canibal — quando não reconhece a vítima. Figurante. Ufa!

Mantendo a “conversão” apresentada anteriormente, Rick continua querendo distância de armas de fogo — embora estivesse armado quando a andarilha que tentou dá-lo de comer ao namorado-cabeça o atacou. Um erro de continuidade, talvez? — e o quer para Carl, mesmo quando o filho pergunta quando terá a sua de volta. Agora Rick é um homem da terra, negando sua natureza e preferindo mexer com legumes e minhocas. Sentimos, neste momento, que é a preparação para o que está por vir, uma situação que o fará rever seus novos conceitos.


Dali, ouvem tiros dentro da prisão (que mais pareciam trovões). A merda está espalhada! No bloco D, muita gente foi pro saco. Todos não importantes. Claro que Darabont não desperdiçaria personagens estimados pelos fãs em uma cena qualquer, a despeito de seu grau de tensão. Ele prefere segurá-los e matá-los em desfechos, lenta e dolorosamente, para que nós, enraivecidos, inundemos a internet com comentários e tags #TWD, para que a atenção e ibope direcionados à série compensem o desligamento do respectivo ator. Me fiz entender? Não resisti à alfinetada. Descanse em paz, Andrea.

 A propósito, de momentos tensos o episódio está bem abastecido. Quando foi anunciado que esta temporada teria mais zumbis não estavam brincando. O chororô contínuo diminuiu, e agora que a segurança não é mais uma cortina colocada diante dos sobreviventes, esta arrancada em um puxão violento, não há mais certezas. Quando apontei em meu texto precedente sobre o erro que era Rick estar usando fones de ouvido não foi exagero, e agora todos veem o porquê. Acreditavam tanto que a prisão era um porto seguro, que a vida tinha voltado ao normal e que agora poderiam plantar cenouras e cantar Kumbaya em frente à lareira... Pff! Tolinhos. Quando eu disser algo, não questionem ;*


Após a limpa final, de mortos e pré-mortos, Rick e os outros percebem que dois zumbis, Patrick e Charlie, não apresentam marcas de mordidas, e logo concluem que, considerando os ferimentos em seus rostos, tenham sido acometidos por um derrame pleural. Pelo que foi explicado no episódio e pelo que li sobre a patologia, há algo muito estranho no meio termo.

Salientando que não sou formado em Medicina, apenas um leigo que foi pesquisar sobre, derrame pleural não é uma doença de fato, mas o resultado de uma em uma lista de doenças. Resumindo (e quem quiser pular este parágrafo e continuar na análise do episódio, não se acanhe), derrame pleural (também conhecido como “água no pulmão”) é o acúmulo anormal de líquido na cavidade pleural, que é o espaço virtual entre as pleuras visceral e parietal, as quais deslizam uma sobre a outra, separadas por uma fina película de líquido. Pode acontecer como consequência de várias doenças, como insuficiência cardíaca congestiva, embolia pulmonar, cirrose hepática, urinotórax, desnutrição, entre outras. Os principais sintomas são dor torácica, tosse e dispneia (alteração do ritmo da respiração). No geral, o tratamento não é voltado para o derrame pleural em si, mas para a doença que o causou. O que pode ser feito é pulsionar o líquido acumulado na pleura. E, pelos relatos que li, o derrame não mata do modo como pintam em TWD. Há chances dos enfermos serem salvos e terem uma vida longa e saudável. Portanto, vamos ver o que a série nos reserva; se vão tomar a liberdade criativa para dizer que, de alguma maneira, o vírus-zumbi alterou a composição da “doença”, ou se tentarão levá-lo ao pé da realidade e tratá-lo como uma ameaça real. Ou se os sobreviventes erraram no diagnóstico e se trata de algo pior.

Voltando à análise...


Carol leva Lizzie e Mica, filhas de um dos feridos no ataque, para se despedirem do pai. O coitado morre diante das pequenas e a mais velha acaba pedindo para pôr o treinamento secreto, ministrado pela própria Carol, em prática, mas perde a coragem na hora H. Nas cercas, ela chora e murmura que “ele está morto”. Carol tenta consolá-la, mas descobrimos que a menina chora, na verdade, por um dos zumbis, nomeado por elas como Nick, que foi abatido no processo de mantê-los afastados.

Sobre o que falei de alguém estar alimentando os zumbis com ratos — o que é notado por Sasha quando um grande grupo de zumbis se amontoa na cerca —, acredito que esta pessoa seja Lizzie. No começo do episódio, Karen vê um desenho pendurado na parede, onde um zumbi rabiscado tem o nome NICK sobre a cabeça. Desde o anterior, percebe-se que as crianças nutriram um sentimento peculiar pelos zumbis, tratando-os como se fossem pessoas normais. O fato de a menina se importar com a morte do pai e do tal Nick com a mesma intensidade é alarmante, e foi o estopim para que eu concluísse ser ela a merendeira dos mortos-vivos. Não havia motivo para alguém ali dentro querer a destruição do local. Até poderíamos pensar que fosse Philip Blake, o ex-Governador, SE a pessoa estivesse do lado de fora, o que não é o caso. E, se fosse ele, não lidaria com a situação desse modo, em doses homeopáticas; já chegaria quebrando tudo. A ação foi intencional, realizada pelas mãos de uma criança em sua mais estúpida inocência.

Em outra cena, no final, a garota até se redime, pegando a faca de Carol após ouvi-la dar um sermão sobre o que eles realmente são, com o claro intuito de que irá fazer o certo... mas não me convenceu.

Vale um adendo: a mais nova, Mica, apagada pelo roteiro, atua melhor do que a outra, personagem de mais destaque. Vai chorar forçado assim lá na casa do...


Quando os primeiros tiros foram ouvidos e Rick voltou correndo à prisão, Michonne estava de saída, mas acabou voltando e cercada. Salva por Carl e Maggie, mas não sem antes torcer o tornozelo, a espadachim ficou de molho em seu quarto. Após todo o corre-corre, ela e Beth conversam até que Judith gorfa no ombro da loira. Quando esta pede para Michonne segurar a bebê (antes ela se mostrou bastante incomodada com o choro infantil), a reação não é nada simpática, mas ela acaba cedendo. A sós com Judith, Michonne se revela emocionada, e é quando lembramos que não sabemos muito de sua vida antes de os zumbis dominarem. Acredito que descobriremos logo um pouco mais de quem é, ou foi, Michonne, talvez em flashbacks. Arrisco dizer que, além dos capangas-zumbi, namorado e amigo, ela também perdeu alguém muito mais próximo: um filho já nascido ou ainda no ventre. Foi uma bela e triste cena acertadamente adicionada.

Uma grande coincidência foi outra cena triste acontecer justamente quando o Brasil testemunha um caso grotesco, os experimentos do Instituto Royal. Não captaram a semelhança? Sendo mais claro: quando Rick e Daryl usam os porquinhos para afastar os zumbis das cercas, estas quase caindo. Foi algo necessário, eu entendo, mas ainda assim é desconfortável de assistir. Até onde se pode medir o valor de uma vida? Aqueles candidatos a bistecas tiveram um fim merecido? Quando o jipe apareceu com uma grande caixa, esperei ver Rick jogando os corpos das vítimas do ataque para atrai-los, mas, estranhamente, me chocou mais vê-lo sacrificando os porcos. Primeiro os ratinhos na cerca, agora os porquinhos? Ativistas, o Royal se instalou na prisão. Vão resgatá-los!


Por fim, e continuando aquele primeiro “já chegaremos lá” do começo do texto (sobre o desfecho do episódio ter aproveitado um gancho para trazer um dos pontos de destaque dos quadrinhos, mas com uma roupagem diferente), Tyreese vai visitar Karen na quarentena e encontra um rastro de sangue. Seguindo-o, encontra dois corpos carbonizados: a própria Karen e David.

Quem acompanha os quadrinhos sabe que Tyreese andava com sua filha e o namoradinho, e os dois acabaram se suicidando em um ritual de juras ao amor eterno. Não deu muito certo, mas enfim. Possivelmente tenha acontecido o mesmo aqui. Analisem comigo: no começo do episódio Karen recusa se deitar com Tyreese; quando vê que será trancafiada em uma quarentena, logo diz que David também está tossindo, o que resultou em trazê-lo para junto dela, e fez isso talvez com o intuito de passarem seus últimos momentos vivos juntos; e, para concluir, ambos aparecem carbonizados lado a lado. Há grandes chances de ter sido um último ato de declaração entre os apaixonados em segredo, uma reprodução alternativa do acontecido na HQ.

Comentários finais:

— Como previsto, Rick volta a portar sua arma e devolve a de Carl;
— Não é à toa que Emily Kinney, a Beth Green, tem uma voz tão linda, novamente cantando, ao ninar Judith. Fui procurar e ela tem um CD, chamado “Blue Toothbrush”;
— Nada de mais aconteceu entre Glenn e Maggie além do costumeiro (e bem-vindo para quebrar a tensão) romance — o que me faz temer que algum dos dois vá para a casa dos pés-juntos em breve.

A promessa de que a quarta temporada seria boa continua se cumprindo. Não há mais aqueles momentos em que uma baba de sonolência escorre pelo canto da boca. Há zumbis, muitos. E, pelo sneak peek do próximo, que promete 7.500 mortos-vivos, tenho uma certeza quase absoluta que só tende a melhorar. Sinceramente, nem faço mais questão de semelhanças com os quadrinhos. Se continuar nesse ritmo, Darabont tem o meu aval.



Última consideração: Todo Mundo Odeia o Patrick.
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Terra Morta – Relatos de Sobrevivência a um apocalipse zumbi: Escrevendo “A Última Sessão do Cine Galaxy”, de Fabi Deschamps

Logo será lançada a coletânea Terra Morta – Relatos de Sobrevivência a um apocalipse zumbi pela Ed. Draco, e os autores que fazem parte desse time foram convidados a compartilhar o processo de criação dos contos. Continuamos com a série de textos que servirão como uma deliciosa entrada para o prato principal.


Como surgiu "A Última Sessão do Cine Galaxy"?


"– Fábio, me solt... – ela havia começado a pedir, mas, ao vislumbrar o rosto do namorado sob a penumbra da luz tímida provinda da tela, Lorena entendeu. Não havia parado para pensar em teorias antes; não havia, sequer, tido tempo para pensar, mas, agora, tudo fazia um sentido tão óbvio, que ela não apenas entendeu. Lorena, simplesmente, soube. Por algum motivo, aquele que agarrava sua perna a ponto de quase quebrar-lhe o tornozelo agora, não era o seu namorado. Alguma coisa estava naquele corpo, e não era Fábio. Assim como aquela garota não deveria ser a mesma que era quando o filme do assassino mascarado começou, e como o garoto de boné também havia se tornado outra pessoa ou... outro “ser”. Ela soube disso através dos olhos de Fábio. Estavam vidrados, ejetados, nitidamente fora de foco, mas, em meio a tão deplorável estado, havia naquele olhar impreciso um ódio iminente. Um estado de fúria tão fervoroso e certeiro, que Lorena sentiu a espinha gelar. No pescoço e nos braços de Fábio saltavam fileiras de veias densas e pulsantes, mas Lorena, no milésimo de segundo em que olhou para o namorado, conseguiu fitar apenas aqueles olhos inumanos, antes de dar-lhe um vigoroso chute no braço que a agarrava – deixando o osso quebrado num ângulo que deveria ter sido dolorosamente anormal – e correr para o fundo do cinema, misturando-se, sem outra opção sobre o que fazer, à massa aterrorizada."



O que poderia ser realmente terrível se inserido numa situação já terrível por natureza – uma epidemia de infectados raivosos? E, além disso, o que mais poderia dar tremendamente errado dentro da segunda situação errada? Foi tentando responder a essas perguntas que surgiu em minha mente A Última Sessão do Cine Galaxy e toda a atmosfera absolutamente claustrofóbica que dela faria parte. Mas não era só contemplando esses questionamentos que eu me daria por satisfeita na escrita do conto que faria parte da antologia Terra Morta – Relatos de Sobrevivência a um Apocalipse Zumbi. Saudosista ao extremo com os filmes que marcaram minha vida de cinéfila, eu precisava fazer uma homenagem a algum deles.

Fã de filmes de terror desde os sete anos de idade, mas vindo a conhecer as preciosidades italianas somente após os vinte, com o advento da internet, vejo Demons, de Lamberto Bava, como um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Inquestionavelmente, é um de meus filmes favoritos.

Ir ao cinema com a promessa da diversão de assistir a um filme de terror, com a segurança de que o perigo encontra-se somente refletido na tela, podendo-se tatear a poltrona e mastigar tranquilamente a pipoca, tendo a certeza de que se é um mero espectador da ameaça que se concretiza apenas na película projetada, é o que todos buscam ao comprar as entradas. Mas a coisa toda sofre uma irônica reviravolta quando, de repente, o próprio telespectador se torna um personagem vulnerável ante um terror real que se instala na outrora tão inofensiva sala de cinema. Enquanto que o instinto de sobrevivência grita para que corram para se salvar, lá estão as paredes de concreto imponentes, as portas trancadas que parecem rir sarcasticamente para eles e uma saída de emergência inexistente para lhes avisar que não, não há lugar para onde correr.

Mas ainda faltava a terceira situação catastrófica dentro das demais, mas, esta, somente quer ler saberá!

Pois bem, definidos os fatores iniciais na concepção da história, bastava trazer os nada simpáticos infectados de Terra Morta para dentro da sala de cinema onde se encontrava a protagonista Lorena e mais dezenas de outros personagens confinados... E pronto! Em vez do Metropol, do Bava, temos o Cine Galaxy.

De qualquer forma, sinto-me lisonjeada por estar contribuindo com esta ilustre antologia que precede um livro tão esperado pelos fãs do Tiago Toy, e espero que os contos selecionados consigam saciar ao menos uma porcentagem da ansiedade dos leitores em se depararem com os infectados de Terra Morta mais uma vez.



Conheça a autora Fabi Deschamps nos links:



Você pode ver os textos anteriores abaixo:

Terra Morta – Relatos de Sobrevivência a um apocalipse zumbi: Escrevendo “Encaixotando Natália”, de Gabriel Réquiem
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